20 OUTUBRO 2025 · 10 min de leitura
Revisão do macOS 26 Tahoe
MacOS é claramente o meu sistema operativo da Apple favorito. Apaixonei-me por ele há 10 anos e até hoje continua a ser por longe o meu OS favorito. Quando comecei a ver os rumores que iríamos ter um redesign neste WWDC25 fiquei muito curioso como é que a Apple iria modernizar o OS, e ao final do dia, o que é que eles achavam ser o futuro da plataforma. As minhas primeiras impressões foram extremanente positivas, alias, eu estava um pouco estérico até, uma vez que isto era algo que esperava que acontecesse já há mais ou menos dois anos. A realidade é que eu tenho muitas visões para a plataforma, e constantemente questiono o design e como as coisas funcionam, não por alguma razão, apenas porque é algo inerente a mim.
Liquid Glass, ao contrário do que outras pessoas podem dizer ou achar, é sim um redesign. Poderá não ser tão substancial como o do OS X Mavericks para o Yosemite, mas é o um redesign ao final do dia. Este novo material digital que a Apple chama Liquid Glass é uma autêntica obra de arte. A maneira como eles conseguiram simular refrações de luz, também chamado de lensing em Inglês é simplesmente inacreditável. Ao contrário do que muitas pessoas dizem, o efeito é extremanente eficiente computacionalmente. O que é surpreendente pelo processamento todo que tem de acontecer em tempo real, por vezes em várias partes do UI em simultâneo.
É impossível ignorar o contexto histórico deste redesign honestamente, isto faz lembrar um pouco Aqua, redesign icónico feito na introdução do OS X no ano 2000 pelo Steve Jobs.
Reflexões, refrações e sombras, elementos core do redesign Aqua, são agora também do redesign Liquid Glass. Isto dá um pequeno throwback e é sem dúvida uma brisa de ar fresco depois do minimalismo do Jony Ive que tivemos desde 2013, que, sendo sincero, nunca fui um grande fã. Lembro-me especialmente de preferir o OS X Mavericks ao El Capitan na altura em que comecei a ficar fã da Apple (por volta de 2015).
À primeira vista, a nova secretária do Tahoe está igual. Não existe nada aqui fundamentalmente diferente, se é isso que estavam à espera. Os conceitos do OS estão estabelidos há décadas e portanto não faria sentido a Apple mudar algo tão importante e icónico como a secretária. No entanto, olhando duas vezes, já se nota que a Menu Bar está diferente! A Apple decidiu tirar o seu fundo, e portanto, ela agora está completamente nua, muito similar ao iPadOS. Honestamente a minha visão nesta mudança está um pouco dividida, por um lado gosto porque dá um ar mais minimalista, mas por outro, já experienciei casos em que a barra fica completamente obscura e sem contraste, especialmente com alguns wallpapers. Eles tentam fazer uma pequena drop shadow atrás da barra para melhor o contraste, mas por vezes nem isso é suficiente. Se isso é o vosso caso, então podem reativar o fundo da Menu Bar nas definições do sistema.
A Dock também está diferente. Ela agora é feita de Liquid Glass, o que fica simplesmente lindíssimo. Fora de brincadeiras, um dos meus maiores vícios desde junho é colocar janelas por trás da dock e ver as refrações de vidro. Outro aspeto interessante que a Apple alterou foi o padding. A dock no macOS Big Sur estava oticamente alinhada com os icones e respetivos indicadores por baixo. No Tahoe a Apple alterou isso, agora apenas os icones estão corretamente alinhados e concêntricos com a Dock. Eu até gostei desta mudança e acho que fica mais bonito, no entanto, neste momento esta concentridade ainda não é mantida corretamente a todos os tamanhos da Dock por algum motivo...
Mais uma vez, o paralelismo com OS Xs antigos é óbvia a meu ver. Comparem só com o OS X Leopard lançado em 2007. Okay, sim, não são obviamente parecidos, mas em termos da filosofia de design são bastante mais do que por exemplo o OS X El Capitan, OS lançado um ano após o redesign minimalista do Jony Ive em 2014.
As janelas no Tahoe também estão claramente mais curvas, alías, ridiculamente mais curvas. Eu não sei o que se passou dentro da Apple, mas eles puxaram o slider de curvatura ao limite. Isto sinceramente cheira-me que o próximo MacBook Pro redesign de 2026 fique mais curvo... mas enfim, isto já são especulações minhas. Eu até gostei desta alteração. Acho que fez o OS um pouco mais orgânico, por muito estranho que possa suar.
Por falar em janelas, vamos falar do Finder. Eu não vos vou mentir, eu ao ínicio até gostei deste novo design porque achei que ao longo do ciclo das betas durante o verão a Apple iria mudar alguns aspetos do design. Infelizmente, não foi isso que aconteceu. Alias, eles não alteraram nada, basicamente. Conceptualmente, não acho que esteja algo errado com a nova sidebar, no entanto, a nova toolbar é uma desgraçada. Está fundamentalmente estragada e mal feita. A hierarquia está toda errada e o peso visual está gigante. Sinceramente não sei quem aprovou isto.
E não pensem que o problema da toolbar é exclusiva ao Finder. Todas as janelas que a têm estão na m*rda. Ora não há contraste, ora há demasiado contraste. A maneira como isto funciona nem a própria Apple consegue perceber, essa é a realidade.
Mas vamos respirar fundo. Nem tudo é negativo. Quando o efeito funciona, o efeito funciona. E a verdade é que é simplesmente lindo. As reflexões e refrações de luz são mesmo algo incrível e super elegante. É só pena ser algo tão imprevisível e oito oitenta. Existem milhões de outros problemas que as sidebars e toolbars têm, especialmente ao maximizar janelas, mas vamos seguir em frente se não nunca mais saíamos daqui.
Uma novidade do Tahoe é o novo Central de Controlo com costumização parecida ao iOS. Em primeiro lugar tenho de dizer que o Liquid Glass fica perfeito aqui, e até acho esta implementação melhor do que a do iOS. Existe também uma pequena animação ao abrir e fechar o Central de Controlo que acho agradável. E a costumização permitida também é bastante ampla. Sim, não é tão boa como a do iOS, mas os controlos principais estão cá (só não sei onde foi o VPN, mas enfim).
No entanto, uma coisa que se repete, e que é extremanente óbvia se usarem o Tahoe como o vosso OS principal, são as inconsistências e faltas de detalhe no OS. Deixem-me dar apenas um exemplo, porque sim, também podiamos passar aqui o resto do dia. Se tiverem um stack na Dock e abrirem uma pasta, olhem para o botão de andar para trás. Está bizzaro. E sim, isto são realmente pequenos detalhes, mas não é isto que esperamos da Apple, empresa obcedada por fit and finish. E se fosse apenas este o caso, era uma coisa, mas não, isto está espalhado por todos o OS.
Se há coisa que merece atenção este ano é a nova Spotlight. Tenho de admitir, a Apple acertou em cheio com a nova Spotlight. Não é que ela estivesse má, alias, ainda dá dez a zero à pesquisa no Windows. Mas meu deus, eles este ano decidiram fazer um redesign completo e ficou ainda melhor. Logo à primeira vista, conseguimos ver o lindo Liquid Glass, é um pequeno efeito mas que fica super bem. E agora, como é obvio, temos este novo design onde a Spotlight bubbles out em cinco bolhas distintas. O primeiro campo, ou a primeira bolha, como queiram chamar, faz o mesmo que estamos habituados. Pesquisa o sistema inteiro por aquilo que quiserem, e vomita todos os resultados de uma única vez. Muitas das vezes isto é okay, uma vez que a Spotlight sempre foi muito boa a prever o que é que vocês procuram, no entanto, por vezes simplesmente aparece tudo menos aquilo que querem. E é por causa disso que a Apple fez este redesign.
Se clicarem em ⌘+1 a pesquisa é feita apenas nas vossas aplicações. E aparece este novo UI. Hmm... interessante... questiono-me como será que está o novo Launchpad- AH... Isto é o novo Launchpad... Apple, com todo o respeito, que porcaria é esta!? Isto é possivelmente a pior coisa que eles podiam ter feito ao Launchpad. Não só o UI é objetivamente pior e mais pequeno, como não existe qualquer costumização na disposição das aplicações. Sim! Ouviram bem! As aplicações são ordenadas alfabéticamente e não há nada que podem fazer relativamente a isso. Isto é tão má ideia, lá está, eu não sei quem é que aprovou isto. É menos funcional, é menos produtivo, é menos elegante, é menos intuitivo. Eu que ia ao Launchpad no mínimo 10⨉ diariamente, agora nunca o abro. E isto tecnicamente já nem se chama Launchpad, chama-se apenas Apps... uau. Enfim, é óbvio, eu detesto isto e espero que no macOS 27 a Apple repense isto tudo do zero outra vez.
Ao clicar no ⌘+2 pesquisam apenas ficheiros. Este aqui é gigante. O novo UI é bastante bom e dá-vos thumbnails de cada documento. Sendo muito mais fácil encontrar algo desta maneira comparado com a antiga que apenas vos mostrava o título do ficheiro. Sou grande fã mesmo.
⌘+3 abre uma das grandes novidades do Tahoe. O menu de Ações. Essencialemte a Apple utiliza as App Intents das suas aplicações e a dos desenvolvedores terceiros para poderem executar uma certa função rapidamente sem ter de abrir a aplicação. O conceito teórico disto é bastante sólido, mas na prática...hm... acho que falha um pouco. Muitos dos App Intents têm funcionalidade básica e bastante limitda, coisa que me irrita frequentemente. Por exemplo, a ação para criar um nome lembrete apenas vos deixa dar um novo ao lembrete e escolher em que lista ele cai. Então e a data? Então e as horas, Apple?
Não vale a pena mostrar, mas ⌘+4 abre o histórico de Clipboard, ou seja, tudo aquilo que vocês fizeram copy no sistema. Obrigado, Apple! Só demorou mais de vinte anos! Isto é extremanente útil no dia-a-dia e estou feliz por finalmente estar cá.
Concluindo, eu amo o Tahoe. Acho que é o melhor lançamento de macOS há mais de quatro anos, no entanto, existem coisas que claramente têm de ser repensadas e melhoradas. Infelizmente, este redesign não foi tão "seamless" como o do Big Sur em 2020, mas não quer dizer que não é uma ótima versão. Eu acho que este novo material tem imenso potencial, mesmo! Só espero que a Apple continue a refinar o design e a performance até maio, caso contrário isto vai ser uma catastrofe para o usuário do dia-a-dia.
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